O amor existe, e é coisa funda,
mas há coisas mais profundas que o amor.
Antes de tudo, há o homem só.
Que nasce sozinho, que morre sozinho
e que sozinho vai vivendo, no seu ente mais fundo.
Como as flores, o amor é vida que cresce.
Mas por baixo estão as rochas profundas, a rocha viva que leva a vida sozinha,
e ainda mais por baixo está o fogo ignoto, ignoto e pesado, pesado e só.
O amor é coisa dual.
Mas o homem, por baixo de qualquer dualismo, está sozinho.
E por baixo das grandes emoções do amor turbulentas, da violenta
parte verde de fora,
jaz a rocha viva do orgulho de uma singular criatura,
o orgulho cândido escuro.
E ainda mais por baixo do leito da rocha firme do orgulho
jaz o fogo ponderoso da vida sem atavios
com sua estranha consciência primordial de justiça
e sua consciência primordial de conexão
conexão com o fogo-vida mais fundo, mais terrível,
e a velha, velha e final verdade-vida.
O amor é dual, e é amorável
como a vida que viceja na terra,
mas por baixo de todas as raízes do amor jaz o leito de rocha do orgulho
nu, subterrâneo,
e por baixo deste leito do orgulho acha-se o fogo primordial do meio
que se mantém
conectado ao para sempre incognoscível fogo mais remoto
de todas as coisas
e que se embala com um senso de conexão, religião
treme com um senso de verdade, consciência primordial
e cala com senso de justiça, o imperativo primordial de fogo.
Tudo isso é mais profundo
mais profundo que o amor.
D. H. Lawrence - Ed. Alambra -
Tradução de Leonardo Froés
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segunda-feira, 7 de setembro de 2009
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
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já me matei faz muito tempo
me matei quando o tempo era escasso
e o que havia entre o tempo e o espaço
era o de sempre
nunca mesmo o sempre passo
morrer faz bem à vista e ao baço
melhora o ritmo do pulso
e clareia a alma
morrer de vez em quando
é a única coisa que me acalma
(in Paulo Leminski. Série Paranaenses nº 2, reunião de entrevistas e resenhas. Scientia et Labor, Curitiba, 1988, p. 7)
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já me matei faz muito tempo
me matei quando o tempo era escasso
e o que havia entre o tempo e o espaço
era o de sempre
nunca mesmo o sempre passo
morrer faz bem à vista e ao baço
melhora o ritmo do pulso
e clareia a alma
morrer de vez em quando
é a única coisa que me acalma
(in Paulo Leminski. Série Paranaenses nº 2, reunião de entrevistas e resenhas. Scientia et Labor, Curitiba, 1988, p. 7)
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quinta-feira, 27 de agosto de 2009
:: Adiamentos ::
Em dias de imprevistos gostava de tirar a poeira dos móveis. Lentamente, uma calma que não combinava com as urgências afastava dos livros os grãos de uma vida que gritava seus desesperos. Enganava-se quem, ao ver de longe, a enxergava perdida em inúteis adiamentos . Ela queria mesmo era organizar a pressa, empilhar os desgastes pressentidos, acumular as aflições nos cantos das prateleiras. Só então respiraria fundo e veria, extasiada, uma certa serenidade – e vida, tanta vida – por trás dos naufrágios e desassossegos.
Cadenza primeira
Pairar acima da vida,
só vivendo-a;
pairar acima da morte,
só morrendo-a;
tudo junto em cada hora
de sempre por todo o sempre
sem nenhum tempo
e agora.
(Maria de Souza Agostinho da Silva)
Cadenza primeira
Pairar acima da vida,
só vivendo-a;
pairar acima da morte,
só morrendo-a;
tudo junto em cada hora
de sempre por todo o sempre
sem nenhum tempo
e agora.
(Maria de Souza Agostinho da Silva)
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
:: Humor Vermelho ::
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
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:: Neste exato momento há uma palavra indecifrável que é a única que pode me salvar
:: Impacientemente percorro todos os caminhos à procura do desvio que vai me redimir
:: Será preciso vasculhar a infância anônima para desvendar as rugas e classificar os medos
:: Tenha piedade e um pouco de paciência: debaixo dessa sombra há toda uma vida que ainda não foi descoberta
:: Defendo com veemência o direito à hipocrisia salvadora. É uma pena que não sobreviva a uma noite de sonho
:: Chamem os escafandristas: o que há de urgente e verdadeiro está no fundo do fundo do fundo do que me sustenta e mata
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:: Impacientemente percorro todos os caminhos à procura do desvio que vai me redimir
:: Será preciso vasculhar a infância anônima para desvendar as rugas e classificar os medos
:: Tenha piedade e um pouco de paciência: debaixo dessa sombra há toda uma vida que ainda não foi descoberta
:: Defendo com veemência o direito à hipocrisia salvadora. É uma pena que não sobreviva a uma noite de sonho
:: Chamem os escafandristas: o que há de urgente e verdadeiro está no fundo do fundo do fundo do que me sustenta e mata
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quarta-feira, 5 de agosto de 2009
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História repetida
anos a fio:
Telefonemas perdidos
chamados velados
Horários esquecidos
na desordem sobre a mesa
Profunda entrega
mesmo frágil cenário
Violentos encontros
mesma eterna solidão
Tanto dogma
pra tão pouca vida
Tanta culpa
pra tão frágil fé
Tanto amor
pra tão pouca perdição
E assim se constrói
uma vida:
Grande amor
em segundos contado
Breve liberdade
no silêncio reprimida
Grande desejo
em minutos roubado
Breve coragem
na solidão vencida
Grande coração
em segundos partido
Gastam-se as palavras
permanecem os disfarces
Gastam-se as horas
permanecem os medos
Gastam-se as possibilidades
permanecem as circunstâncias
Gastam-se os sorrisos
permanece o dissabor
Gasta-se a vida
permanece o desencontro
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anos a fio:
Telefonemas perdidos
chamados velados
Horários esquecidos
na desordem sobre a mesa
Profunda entrega
mesmo frágil cenário
Violentos encontros
mesma eterna solidão
Tanto dogma
pra tão pouca vida
Tanta culpa
pra tão frágil fé
Tanto amor
pra tão pouca perdição
E assim se constrói
uma vida:
Grande amor
em segundos contado
Breve liberdade
no silêncio reprimida
Grande desejo
em minutos roubado
Breve coragem
na solidão vencida
Grande coração
em segundos partido
Gastam-se as palavras
permanecem os disfarces
Gastam-se as horas
permanecem os medos
Gastam-se as possibilidades
permanecem as circunstâncias
Gastam-se os sorrisos
permanece o dissabor
Gasta-se a vida
permanece o desencontro
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quarta-feira, 15 de julho de 2009
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